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sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Desculpem o transtorno, mas...




Eu sou aquilo que muita gente chama de "vândalo literário". Sim, eu rabisco meus livros, desenho corações, choro em suas páginas... Lindo, lindo, lindo... Quanto maravilhamento há quando os dedos talvez cambaleantes daquele autor possuem o dom de engendrar minha alma com suas frases únicas e universais.


Sim, eu sou uma vândala, não daquelas que tentam profanar as escrituras sagradas, mas daquelas que querem fazer parte delas. Corações, corações, lindo, lindo, lágrimas lágrimas e vou me tornando parte daquilo, insiro-me naquele universo. Os meus livros vandalizados são meus e contam uma história somente minha – são minha biografia talvez.

domingo, 3 de julho de 2011

Após o nascimento a vida nos brinda com duas certezas: a solidão e a morte.


domingo, 3 de outubro de 2010

oh, yes

there are worse things than
being alone
but it often takes decades
to realize this
and most often
when you do
it's too late and
there's nothing worse
than
too late.

Charles Bukowski

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Tautologia

Casa comigo que eu sou capaz de te fazer ver tudo que está bem na ponta do teu nariz. Eu pinto tudo de azul e te deixo a vontade para correr nua pela casa. Casamento é substantivo capcioso, é o contrário do que parece ser, mas casa comigo que eu viro teu sapo quantas vezes quiser.

Casa comigo que eu te deixo dormente e transformo todo o teu chão em cama macia. Se quiser, eu não peço pra você gritar, mas encosta teu corpo bem perto do meu e respire profundamente, sempre.

Se você decidir casar comigo, farei de você a mulher menos mãe do mundo. Contudo, sei que você não se importa em não ter filhos. Mas casa comigo que te semearei herdeiros todas as noites só pela profundidade do teu fitar.

Casa comigo que eu troco as amantes de endereço e peço que todas as minhas contas sejam entregues na nossa casa. Minha cor favorita é o vermelho, mas gosto quando você se veste de branco, é como se fizesse parte da sua pele. Então casa comigo porque eu também quero ser parte das tuas negras noites.

Casa comigo porque estou cansado de procurar presentes diferentes sem saber do quê você gosta. Portanto, se você casar comigo, pode falar dos comerciais e das revistas de moda e livros com finais infelizes que eu dou que eu gasto e me desgasto só para me poupar das tuas reprovações.

Que a decisão de se casar comigo não seja baseada na angústia que posso te causar em nossos dias. Só se case comigo para que possa te trazer estrogênio, chocolates, endorfina, músicas, feromônios e flores.

Casa comigo para eu arrancar tudo isso de bom que há dentro de você e me apossar da tua alma, pois quem sempre perambula de madrugada sou eu. Se você aceitar tudo isso, verá a quantidade de frieza que existe aqui dentro de mim.

Casa comigo porque você nunca acreditou nas minhas mentiras, mas, ainda assim, amou todas elas. Quero jogar na tua cara que você sempre soube quem eu sou e que se está aqui é por vontade própria.

Se quiser se casar comigo, não espere nenhuma festa. Casamento não é um evento imperdível. Daí, case-se comigo que eu nunca vou te perdoar por usar aquele fraque ridículo em um dia de calor com toda aquela gente insuportável me olhando admirada.

Casa comigo pra eu te mandar embora, para depois você olhar na minha cara com um sorriso sarcástico e me chamar de idiota. Você não precisa de mim, então casa comigo para eu precisar menos ainda.

Casa comigo para me provar que sou um burro em pedir. Mas casa comigo só para poder te sentir e te ressurgir nas tuas manhãs de cara amarrotada. Arruma tuas malas que eu quero te levar para o meu buraco. Então casa comigo e me faça tão infeliz quanto posso te fazer e quanto tenho sido.

O amor vem pelo mistério, pela paz, pelo rompimento, pela quebra dos paradigmas e pela tolice de professar os maiores clichês como se fossem preces a um deus que vive escondido por aí a espera de um sim. Então, casa comigo porque eu preciso e admito que sem você este abismo é muito mais miserável.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Cacos e Fra(s)cos

Hoje percebo que cada amor que tive levou um pouco do meu escasso léxico. As palavras não brotam como antes, ficam ali naquele dicionário inato, inerte. Talvez eu não tenha sabido amar. Alguém aí sabe amar? Dizem que o amor é como um jardim. Se assim fosse era só seguir as instruções atrás da embalagem de sementes... O amor é mortal assim como viver.

Eu sei exatamente qual é meu erro; meu erro é meu desespero e essa coisa forte que não me deixa equilibrar a balança com dois pesos, duas medidas. Eu fico nessa de querer abraçar você, de não querer te ver, de tentar falar, de saber que você vai esquecer. Então eu me rasgo de raiva, eu saio pra rua nua e descubro que a lua bonita no céu é mais doce que a vingança. No dia seguinte eu escrevo cartas com obrigados e eu-te-amos que não são recebidos no dia certo e, mais uma vez, esse amor furta-me mais um punhado das minhas palavras tortas. Adoeço e me faço de forte. Mulher é desdobrável, eu sou. Sou veementemente febril, volátil e voluptuosa, mas nego tudo isso até a morte.

As reviravoltas diárias deixam-me confusa. Domingo, agora, é dono do céu, do êxtase. Segunda-feira é mãe da espera e do engarrafamento. Diante daquela janela pela qual só se vê de dentro, encolho-me de medo e tento ler, ler-me, mas não aprendi braile e de tanto esforço posto nisso, quase adquiro LER. Minha alma, minha lama já diria o poeta. Passei uns 300 dias torcendo para que você entrasse por aquela porta sorrindo, mas isso nunca aconteceu porque eu sempre soube onde te encontrar e você não entraria naquela sala mesmo que eu quisesse, mesmo que eu pedisse. Os 300 dias se foram e hoje me restam suas orações e umas doses homeopáticas de afeto e açúcar. Os 300 dias se foram e hoje isso parece conversa de elevador: Como foi o dia? Sua mãe tá bem? Tudo bem no trabalho? Não gosto de muitas perguntas, gosto mesmo é de ser arrebatada.

No emaranhado de afetos e desafetos, eu cato nos recônditos os restos de amor e tento criar algo menos confuso com eles. Criar com cacos sempre corta, é uma hemorragia. Se a gente soubesse não criava nada com cacos – deixava o tempo passar e a ave sair, mesmo que fosse por 24 horas. Contudo, na desordem do armário, os cacos fazem morada como monstros que podem atacar a qualquer momento em que uma porta é aberta. Meu armário está aberto e os cacos espalhados por aí, assim eles perdem força. Tudo isso é identitário, é a busca por algo que doei, que distribuí deliberadamente e que me faz falta. No meio disso tudo está aquele envelope médio de papel pardo – ele guarda a parte física daqueles 300 dias. Eu te escrevi tantas cartas do meu amor desorganizado e lânguido e estou certa de que você as guarda no seu armário, junto aos cacos, dentro de uma caixa box. Até nisso você foi melhor que eu, mas não importa eu ainda tenho aquele envelope médio de papel pardo com perfume de flores. Sou nostálgica e gosto de esgueirar-me nos precipícios. Não sou medrosa e já tenho a moeda para o barqueiro.

Amor é fogo que arde sem se ver. O mesmo fogo que arde, destrói. Espero que não tenha destruído as palavras estranhas, minhas favoritas. Ele era alto e de olhos negros, ele era minha palavra estranha favorita e agora cabe em um envelope médio de papel pardo com perfume de flores enquanto eu, à espreito, aprendo a colar. Antes só que mal remendada.