Mostrando postagens com marcador Recordar é sofrer. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Recordar é sofrer. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

11 de Janeiro.

Não choro pelas palavras. Choro de saudade (...).
Quando alguém morre ou desaparece, a palavra escrita é o único alento.
¹

As palavras tendem a tornar-se escassas. Desta vez não consegui dizer muita coisa, chorar muita coisa, pensar muita coisa, só gritei: Calma! A vida é longa pra uns poucos e curta para nós. Será que os anos contam mesmo a vida? Será que esse relógio ingrato de apenas 24 horas diáris quantifica nossa existência?
Sei que não mais te verei e sei que a única coisa que me lembro é a maneira como eu olhava pra cima e via teu sorriso ao longe. Todo mundo deixa alguém todo o tempo. Uns guardam as lembranças de uma vida quando era possível acariciar teus cabelos negros. Outrs guardam uns poucos anos e se obrigam a se comportar como adultos para dizer adeus e os piopres são aqueles que nem puderam te sentir como deveriam e se agarram no primeiro semelhante teu que lhes aparece.
Ao final não resta muito a não ser não pensar muito e pedir desculpas por não ser, não estar e por não ter arrancado de ti as palavras que nunca quis pronunciar. Ao final a dor é para quem fica, pois, ao final, ainda restou teu sorriso no travesseiro.

¹ Milton Hatoum in Órfãos do Eldorado.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Curriculum Vitae

Os dias os quais eu não te encontro são enlouquecedores. Procuro tuas músicas e vídeos. Ouço-os, vejo-as e enlouqueço mais. Faço tudo isso na tentativa de não pensar em você. Não quero sequer cogitar a possibilidade de você haver se esquecido de mim. Eu preciso do teu gosto na minha língua. Preciso das tuas palavras desconexas. Preciso me lembrar que não sei agir quando estou contigo. Preciso tremer se te escuto, se te olho, se te devoro. Eu gosto mesmo é do teu peso sobre meus ombros, sob meu corpo, sobre meu tapete; isso sim me traz felicidade.

Restou um maço incompleto do teu cigarro aqui na mesa de cabeceira. Sempre odiei os fumantes, achava nojento, mas não você. Tua fumaça tinha cheiro de canela, tinha um cheiro muito pessoal. Gosto do jeito que faz com a boca quando dá tuas baforadas. Teus lábios formam um circulo carnudo, carmim, cádmio. Nunca fui muito boa em exatas, por isso sempre fui extremamente apaixonada pelas humanas. Foi você quem me ensinou toda a Biologia das coisas e me fez enxergar a anatomia das artes.

Eu te recitava os versículos de Cantares de Salomão em umas noites quentes e brancas. Enquanto recitava, você beijava a boca da garrafa de uísque. Keep drinking. Gosto de te observar, pois sei que tomarei parte daquela satisfação muito me breve. Teu olhar era um invasor que rasgava minhas vestimentas a milhares de metros. E o que falar quando dividíamos os papéis, a ciência? Nestas noites brancas e quentes tentávamos desmentir a tão famosa lei da Física: Dois corpos não poderiam ocupar o mesmo lugar no espaço. Mentira. Quem disse isso nunca amou na vida, nunca se jogou em um precipício de sedas caleidoscópicas. O romance é a melhor droga do mundo e eu era viciada na tua seiva.

Enxergava todos os matizes em tua auréola de fumaça e acreditava em todas as desventuras que teu ar alcoólico narrava. Teu som é a reencarnação das composições de Beethoven. Ainda bem que ele era surdo e não ouviria nossos barulhos. Você é um Dom Quixote e eu a Dulcinéia que se jogou na frente de teu cavalo magro e sujo. E esta é nossa História, nossa aventura e desventura. A verdade é que eu preciso de você agora, de qualquer modo, sem qualquer razão que não seja você mesmo. Preciso me sentir desconcertada por teu olhar repreendedor que me fez crescer em gênero, numero e grau. Amo tuas esquisitices como nunca amei ninguém.

Antes de a nossa desventura começar, isso tudo estava cheio de ninguéns que se foram, mas você conseguiu ser alguém. Mentiria se dissesse que sou incompleta sem você. Eu preciso de você aqui porque eu gosto. Eu te quero aqui porque o ar fica muito mais leve quando coberto pelas nuvens da tua nicotina. Eu te amo porque são teus dedos que tocam todas as minhas sinfonias de ouvido. Eu enlouqueço sem nossas noites hibernais, infernais. Ainda tem uísque aqui no bar e cigarros e um isqueiro novo. Eu comprei Volver. Então volta para tempestuarmos juntos. Tua loucura universal me consome e me revive. Eu quero morrer todos os dias só para você me levar de volta ao teu paraíso.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Grito


Me dá raiva pensar nisso tudo. Me dá tristeza pensar que você optou pela distância. Me pesa saber o quanto poderia ter te amado. Te entreguei meu corpo e guardei minha virgindade, não a de sexo, mas de todos os sentimentos que só conheci contigo. Não digo só sexo porque isto é algo que se resolve facilmente entre mãos e imaginação. Contudo, a magnitude do amor não pode ser criada à mão como estátuas de barro, nem mensurada pela imaginação do mais brilhante poeta.

Para sempre é a mais cruel das expressões; mantêm a alma encarcerada. Para sempre é uma das promessas que fazemos somente por um prazer masoquista; só não consigo ver uma verdade nisto. A que ponto chegamos? A ponto algum. A porta continua aberta. Os amanheceres sempre vêm suprimindo sua ausência momentaneamente. Mas eu vivo, as pessoas é que acham que não. Cada um vive a seu modo, certo? Eu vivo do meu. De silêncios em silêncios preencho minhas lacunas. Te vejo pelo vidro embaçado da janela e depois saio de casa. Você sabe muito bem que a chave extra fica embaixo do tapete.

Você fez com que eu conhecesse o arrependimento; o arrependimento da confissão, da confissão do amor. Hoje eu preferiria ter me resguardado de teus beijos, dos teus telefonemas. Preferiria ter me resguardado de você. Tenho o dom de afastar as pessoas de mim. Não seria diferente contigo. Definitivamente não sou um ser digno de afeto. E não digo isso fazendo um dramalhão; é realmente o que penso. Que as almas nobres possam me perdoar. Que você me perdoe.

Me perdoa por ser tão exigente, tão intrasigente, tão instável? Me perdoa por brigar quando você não me chamava pelo nome? Mas é que ele fica tão mais gracioso quando é você que o pronuncia. Preciso ouvir sua voz e o meu nome é a única coisa que ainda possuo. Não posso exigir tanto assim de você quando quem tem que ser doar sou eu. Mas fico feliz com seus movimentos e desejos que me dão insônia. Vem, volta ou me traz de volta. Estou com saudade da nossa paz.