domingo, 22 de junho de 2008

Quando o inverno chegar

Para Marina, minha prima.
“Mrs. Dalloway always giving parties to cover the silence.”¹

São esses silêncios que nos acordam desesperadamente em um domingo desses e nos fazem relembrar, reescrever. Sempre gostei dos silêncios como forma de auto-análise e como remédio temporal. Contudo, o silêncio que guardo hoje é pela tua não-presença. Nestes silêncios consigo ouvir tua risada alta e ver as mesmas cores de quando nos escondíamos no armário tempos atrás. E das coisas que deixei lá dentro uma delas é você, guardada em uma caixa de porcelana inquebravel. Descobri nesta trajetória que os diamantes não são as únicas relíquias duradouras desta vida. As lembranças também são eternas na fugacidade da existência e mesmo que eu dê muitas festas nestes trezentos e sessenta cinco dias que contemplam um ano, você será sempre convidada nem que seja para dançar aquela valsa lenta e muda que posso te dedicar. As rosas amarelas guardam teu cheiro e aos domingos elas perfumam mais. Tenho medo destes dias que iniciam uma nova semana, tenho medo do que eles possam fazer comigo. Todavia, era quando mais brincávamos e nos escondíamos. Hoje isso tudo mudou; nossas vidas mudaram e para alguém como eu que não possui diamantes, só me restam estas lembranças da chegada do inverno. Portanto, aqui estou eu te dedicando o mais singelo da minha alma: minhas saudades.

¹Richard, personagem de Ed Harris no filme “The Hours”.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Gotta say...




And I STILL don't believe that anybody feels the way I do about you now...

domingo, 15 de junho de 2008

Volúpia

Eram dez horas da noite daqueles dias ambíguos. Daqueles dias que não fazia nem calor, nem frio. Naqueles dias meu coração não parava, não mais sabia o que sentia. Foi assim que me vi caminhando por uma dessas ruas qualquer e me flagrei, parada, em uma dessas esquinas duvidosas de uma rua que não se sabe o nome. Não sabia nem o meu nome. Contudo, queria esquecer o teu. Teu nome ecoava entre os intervalos quase que agonizantes da minha respiração. Era como se pudesse te ouvir nestes entremeios, sentir tua língua no meu colo e suas mordidas latejando em meus seios.

Lembrei-me de Shakespeare, soneto 116: [Love] is the star to every wandering bark, Whose worth’s unknown, although his height be taken.

Olho para o céu. Procuro nossa estrela. Não, não eram estrelas; eram seus olhos as fontes de luz de todas as noites. Aliás, todas as noites são tuas. Não existe noite sem teu cheiro, sem teu colo, sem teu sabor, sem tua saliva. E se não há noite, os dias se tornam dormentes. Hoje está calor. Bem, não sentia calor há dez minutos atrás. Mas tua lembrança me aqueceu de forma tão arrebatadora que poderia até ouvir nossos sussurros e uivos e gritos e todas as declarações.

A barraca que vende sorvete estava aberta. Comprei um sorvete. Sorvete de chocolate, da cor da sua pele. Era do gosto da tua língua. Olhei para os lados, só a vendedora estava ali comigo. Não, não comigo; ela estava ali naquele lugar. Acho que eu era a única louca a degustar, saborear um sorvete em uma noite tão fria. E se o fazia era por causa do calor que me transbordava. Torcia para não encontrar ninguém conhecido. Não queria dar satisfações, nem responder perguntas. Toda pergunta feita em momentos inoportunos se torna idiota, pelo menos para mim. E aquele momento era teu.

Meia-noite. Mais uma noite. Uma noite a menos?

Volto para casa. Essa casa que é minha, mas que está muito mais cheia de ti que de mim mesma. Tomo um banho e tuas mãos continuam ali; a água escorre violentamente em meu corpo e as tuas mãos continuam ali. Coloco um perfume estratégico em um lugar quase invisível e penetrado somente por suas narinas. Todavia, não consigo sentir nenhum outro cheiro que não seja o teu. Volúpia. Esta palavra não saia da minha cabeça. O lençol da cama era vermelho. Não te encontrar ao meu lado era me arrancar o âmago dos prazeres, era não me sentir, era não mais desfalecer cansada em teus braços, era não mais cravar minhas unhas curtas em tuas costas.

Mas não consigo ficar parada. Não consigo suportar este oco eco que escuto ao gritar teu nome. Procuro-te em outros corpos. Quem sabe um dia eu te encontro ou me perco de vez.

Passionfruit

Hoje resolvi tirar o dia para observar. Talvez tenha feito isso porque tudo que desejei hoje era ir para casa, tomar um longo banho frio sentada no chão do box, vestir uma roupa leve e sair. Sair, mais precisamente ir à praia. Todavia, não era um ir à praia que compartilhava a alegria efusiva do excesso de melanina nos corpos bem torneados (ou não). Era um ir à praia medicinal. Queria tomar sol para curar-me do escorbuto interior. Sim, era doença. Pensando bem, não era falta de vitamina d, mas de serotonina. Infelizmente nós, seres humanos, inventamos a pós-modernidade (ou será que ela inventou-se?!) que a cada segundo ofegante que passa sofre uma mutação que chega a ser um insulto à nossa sempre tão ínfima sanidade. Esta pós-utopia, ou seja lá qual nome utópico, possível e passível de dar à esta era, (re)surge a cada aurora como uma gripe ou uma dessas –ites que todo mundo tem, cujas origens são desconhecidas, mas vivemos inventado pomadinhas, tratamentos à base de oxigênio e nos entupimos de pípulas milagrosamente messiânicas que não multiplicam nem pães, nem peixes e muito menos transformam água em vinho para nossa embriagues dormente ou em xaropes para uma futura crise.

É, observei e ainda queria ir à praia só para me sentir viva. Era como se aquele vento massageasse meu corpo que estava tão dolorido naquele dia. As cólicas pareciam-me retorcer cada fibra. Talvez isso fosse causado pelos burburinhos escandalosos causados pela proximidade do Dia dos Namorados. Mais uma vez é a luta pela sobrevivência. Esses dias comercialmente comemorativos parecem até fila de comida para famigerados; é uma correria cambiante onde os cartões de crédito, usados euforicamente, parecem poder comprar uma felicidade noturna do dia 12 de Junho. Ora vejam, sempre fui fã dos beijos roubados no elevador ou até mesmo daqueles puxados pela cintura ou das conversas mais despretensiosas que culminam em declarações e em olhares inesquecíveis. Partindo disso, ah, para quem ama, todo dia é dia 12. Respirei, contei de um até mil e voltei a ler. Em tal livro o narrador-personagem falava de um outro tal livro em francês (ah, definitivamente eu preciso aprender francês) que mencionou algo sobre o amor: na primeira juventude, o amor é como um rio imenso que arrasta tudo em seu curso, e ao qual sentimos ser impossível resistir. Era isso. Resistir pra quê? Que viva-se o dia 12, cada um ao seu modo. Contudo, eu ainda prefiro os 12 dos 365.

O dia passou assim: silencioso e visceral. Queria escrever, mas sempre achava tudo uma grande besteira mesclada com uma timidez latente que de tão bem escondida chegava ser desconcertante. Suspirei e contei até trezentos e pedi um suco de maracujá. Ao beber a iguaria, lembrei-me do nome de tal fruta em inglês: passionfruit. Definitivamente não precisava lembrar-me disso. Sabe quando você se auto-aconselha um “Pelo amor de Deus, né?! Hoje não!” para logo em seguida se auto-responder “Ta certo. Ok!”. Paguei a conta e fui embora com gosto de passionfruit na boca. As pessoas ao redor traçavam planos de bares e finais de semana e trabalhos finais e seminários e churrascos. Era tanta gente falando e todas aquelas vozes me incomodavam; queria silêncio.

Para mim o silêncio era tão importante quanto água e ar. Silenciar-me era alimentar-me, acalentar-me. Precisava disso porque era no silêncio que deixava minha bagunça interna gritar. E não adianta, o grito é direito adquirido desde o momento em que um médico qualquer nos dá um tapinha para que choremos, uma forma de dar-nos as boas-vindas. Bagunça. Será que um dia arrumo isso? Sinceramente acho que não. E aquele silêncio gritava paradoxalmente com aqueles barulhos pós-modernos onomatopeicamente indescritíveis. Até que resolvi acolher a ausência e me fartar dela. Isso mesmo, minha tarde de observações acabara. Foi então que percebi que observei muito pouco. Meu analista faz falta e ele também. Voltei para casa e sentei nua no chão do banheiro. As cólicas haviam passado quando duas longas e demoradas lágrimas escorreram do meu rosto. Contei até mil. Já estou pronta para um amanhã: cortada, mas inteira.

domingo, 25 de maio de 2008

Consumação

Havia tempo que ela não ia à praia. Até porque aquilo tudo lhe parecia uma perda de tempo. Ficar parada enquanto o sol a deixa tão vermelha quanto uma daquelas maçãs grandes? Não, não fazia sentido, definitivamente. De uma coisa ela tinha certeza: uma maçã bem vermelhinha era bem atrativa, mas ela não... Não mesmo. E à noite? Se durante o dia cogitar a idéia da ir à praia era praticamente impossível, ir durante noite então parecia um desparate ainda maior. Contudo, naquele dia tudo se tornara diferente. Não se sabe se os olhos estavam escandalosamente mais bonitos ou se era a flor que ela colocou entre os seios ou se o vento traiçoeiro denunciara a leve transparência de seu vestido longo. Ela sempre prendia o cabelo, mas naquele dia não... Naquele dia tudo se tornara diferente, por isso deixou-os livres. Livres como ela almejara tanto ser.

Não queria andar na areia. Não queria se sujar. Não queria que aqueles grãos irritantes grudassem em sua pele. Nunca vira tamanha teimosia como a de um grão de areia; eles não somem nunca. Portanto, decidiu caminhar pelo calçadão mesmo. Preto e branco, branco e preto. Preto e branco eram as cores das pastilhas do calçadão, da camisa do time preferido e da maioria das roupas que ela possuía. Preto e branco eram as cores mais honestas que ela conhecia. Seu vestido era alvo em contraponto ao seu coração, este as dores transformaram em uma cor que não se conhece. Os cabelos dela eram negros. A noite estava negra; tão negra como os cabelos dela e tão cristalinamente negra quanto os olhos dele.

Caminhava no calçadão e achava estranho a praia estar deserta. Achava estranho também a quantidade de postes que havia por lá. Na cabeça dela aquela imensidão toda só podia ter uma única fonte de luz: as estrelas. Mas naquela noite não havia nem luar, nem estrelas e os postes só serviam mesmo para tentar afugentar um pouco a violência; total fracasso social. Agora andava. Tinha medo. Medo da escuridão. Medo da chuva, pois esta molharia seu vestido branco e deixaria transparecer aquilo que há tanto escondia.

Andava, quase corria. A flor caira. Não mais exalava aquele doce perfume sob suas narinas. E neste alvoroço de êxtase e medo, uma voz a chamou. Não, não pararia mesmo, de forma alguma... Continuou correndo. Até que uma mão a tocou bem no ombro. Uma mão cuja suavidade e temperatura pareciam quebrar o gelo do vento e do medo. Olhou para trás com um receio só sentido antes por aquele amor platônico da adolescência. Olhou. E tamanha foi a surpresa que ficara sem fôlego. Eram os olhos negros. Aqueles mesmos, os únicos dos quais ela se lembrava. Havia muito tempo que aqueles olhos não se encontravam. Cumprimentaram-se. Falaram um pouco da atual situação moral-emocional de cada um, ou seja, aquele tão famoso “Vou bem, obrigada. E você?” . Tudo e todos estavam tão bem, todos e tudo estavam tão em ordem que chegava a ser frívolo. Coisas de uma moral cristã, porém fria, que já estavam cansados de apregoar. Contudo, continuavam naquela conversa que falava tanto, mas não dizia nada. Depois de um tempo, convenceram-se em retirar os calçados e caminhar na areia.

A distância entre a estrutura do calçadão e a areia era grande. E só ela sabe o quão feliz ficara ao encontrar as mãos dele oferecendo uma ajuda quase que medieval. Em uma mão, as mãos dela. Na outra mão aquela flor vermelha que há tempo caira de entre os seios dela. Foi mais que um encontro de mãos e perfumes, mas um encontro de olhares. Olharam-se. Enxergaram-se. A eventual transparência de vestido dela nem importava mais. Ela se sentira nua desde que os olhos negros dele encontraram os dela. Magia. Conteram-se. Continuaram a conversar sobre o supérfluo. Sentaram na areia fria e logo o supérfluo levou às lembranças. Estas não podiam ser frias; não eram frias, definitivamente.

Olharam-se com a sede daqueles que desejam saciar-se através da alma alheia. O cabelo dela ao vento. A flor ainda na mão dele. E ele em um ato que não se sabe se era desejo ou honestidade, na verdade era os dois, desejo dela sendo honesto com ele mesmo, devolveu a flor ao seu lugar de origem. E as mãos dele antes ocupadas, se ocupavam agora em tocar o colo e ajeitar os lindos, negros e bagunçados cabelos dela. Beijaram-se vagarosamente como se estivessem saboreando cada milímetro um dos lábios do outro. Abraçaram-se tão apertado que a respiração parecia cessar. Os corpos estavam cheios de areia. Mas aqueles grãos antes tão teimosos e irritantes nunca pareceram tão doces e suaves ao paladar como naquela noite. Estava frio. Contudo eles tinham o calor dos corpos um do outro e o céu como cobertor. Queriam-se, indubitavelmente. E era um querer incomensuravelmente teimoso, tanto quanto os grãos de areia, que não se render seria assassiná-lo com requintes de crueldade. Não matarás. Visivelmente aquilo tudo nada tinha a ver com a Bíblia ou qualquer outro sacramento. Não, naquele momento eles se alimentavam da mistura das carnes um do outro; um sacramento totalmente mundano, mas tão delicioso quanto o néctar mais sagrado do deserto e não saboreá-lo constituiria em pecado de morte para ambos. Sim, areia, corpos, céu, desejo... Essas eram as únicas regras, a única oração. E todos aqueles postes de luz no calçadão nunca lhes pareceu tão inconvenientes.

domingo, 11 de maio de 2008

Ambigüidade Estrutural

Te amo.

Tua ausência me esvazia.
Tua presença me sufoca.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

A Simple Wish

May you always find the heavenly light in your way.
May your eyes always be opened and clear.
May you always be able to open up your heart.
May you always surrender yourself to the beauty of a full moon.
And when you had to face up the dark corners,
May you be guided by the awesome starry sky.
May you always find a warm island when you get tired of swimming.
May your feet always move on the right and safe way.
And when you had made a mistake,
Just look behind, there are going to be flowers in your garden.
May the cool breeze dry the fallen tears on your face.
May you always have somebody to love, care and share.
May the rainbow always appear after your rainstorms.
May life embrace you and caress you just like a mother does.
And when everything seems dull and cold,
May you remember that you are the key... just trust yourself.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Sessão Nostalgia

Jukebox:

Encontros e Desencontros (Maria Rita)

Photograph (Jamie Cullum)

Prefácio:

Dedico à todos aqueles que estão ou passaram pela minha vida. Todos vocês fazem parte dela. Todos vocês são as saudades, presentes ou ausentes, que gosto de ter.

Saudades. Chorei. Não um choro triste, angustiante, daqueles que vai trespassando a alma. Mas chorei. Era um choro saudável. Choro de quem não tinha sono às quatro horas da manhã. Choro cinematográfico. Partes de uma minissérie eram as lágrimas. Flashes de luz que faziam cada momento unicamente doce, eufórico, íntimo.

Trios, filmes, dúvidas, telefones, lágrimas, risadas. Risadas... Ah, como são boas as risadas! Gosto daquelas mais escandalosas. Contudo elas sempre me levam às lágrimas. Estas eu prefiro as silenciosas. Aquelas que se deixam escorrer em uma dessas madrugadas que o vento leva. Conquistas, essas são as melhores partes. Se bem que eu ainda olho para trás e me acho muito velha para tão poucas conquistas. Mas isso se torna uma outra história. Acho que preciso traçar melhor essa minha linha do tempo.

Saber como as pessoas te vêem... Nossa isso dá medo! E é nessas horas que aquela velha teoria de ser um mal necessário cai por terra. Mas é, indubitavelmente, um mal necessário. Apelidos. Existe forma melhor de saber o que uma pessoa acha de você do que os apelidos que a mesma te atribui? Nem sei. Não sei se sim ou se não. Acho que na verdade nunca se sabe. Mas é inegável a participação deles na nossa vida.

Fotografias. Gostaria de ter mais delas. Agora nem adianta mais contá-las. Os momentos passaram e mesmo assim elas não captariam o essencial, não captariam nossa juventude e eminentes desejos de liberdade. “Liberté, Égalité et Fraternité”. Só que eram ideais bem menos filosóficos e coletivos. Bem, continuo ainda sem saber até que ponto cada um de nós pode ser socialista; se é que se pode ser ainda.

Cheiros... Daquela comida gostosa na casa de um ou daquele restaurante aos sábados ou daquela bagunça gastro-caótica na casa de outro. Perfumes. Presentes. Flores. Doces. Amores. Depois da aula de Educação Física o que não faltava eram cheiros e desespero, obviamente. Mas também tinha torcida e muita alegria a cada gol. Cantarolávamos músicas que exalavam nossa euforia, essência e alegria.

Senti saudades.

Saudades das PowerPuff Girls, Capitão América, Batman, dos clipes da MTV, das pesquisas na biblioteca municipal, Betty Boop, de fazer prova oral, da Torloni, das músicas dançadas em cima da mesa, dos cinemas e praias aos sábados, de não ter feito pré-vestibular, daquele amor platônico. Saudades das aulas de História, de Geografia, de Espanhol, de Fonética. Saudades dos biscoitos amanteigados, dos amores, dos amigos, dos amores que viraram amigos e dos amigos que viraram amores. Saudades daqueles primeiros dias, do primeiro sutiã, do primeiro emprego, do primeiro olhar.

O tempo para mim nunca foi retalhado, mas uníssono. Bem, pelo menos aqui no coração. O que me faz muito feliz é saber que há muitos personagens de desenho, praias, livros, salas de aulas, primeiros, filmes, músicas, cheiros, flores e amores ainda à espera para serem coloridos pelos pincéis mágicos da vida.

Sinto saudades sim. Não aquela dolorida, mas uma outra: aquela que eu gosto de ter. Os momentos só são especiais porque não podem ser apagados, não há repetição e muito menos retorno... Amo todos, todos eles. Contudo este presente não me permite querer uma volta porque amanhã ele também será passado e a vida grita meu nome incessantemente.

Nocaute


ANTES

Amo você.
Amo tudo que você
construiu aqui dentro
de mim.

DEPOIS
Amo você.
Odeio todos os escombros
que restaram de você
aqui dentro
de mim.

domingo, 27 de abril de 2008

(Des)Continuidade

Ah se soubesses...
Que o teu cheiro jaz ainda sob minha pele
E que continuo a contemplar as estrelas
Que, naquela noite, nos iluminavam.
Teus lábios continuam por beijar os meus,
Meu corpo ainda se arrepia por tuas carícias.
Já diria o poeta:
"Falais baixo se falais de amor."
E é entre meus sussuros noturnos
Que declaro-te todo meu amor.
Não há por quê gritar à gente os versos,
Escritos com gotas de lágrimas e sangue,
Que te fiz e dedico-te secretamente.
Amo-te todas as noites à distância
E continuo a esperar a luz dos olhos teus.

Inspiração

E é por isso que te escrevo.
Porque te quero aqui neste folha tão impessoal,
Escrevo incansavelmente nesta luta já perdida
De tentar lapidar tuas formas nas palavras,
Sentir teu cheiro através das minhas rimas,
Ver nos adjetivos teus olhos,
Sentir na textura fria do papel a tua pele.
Tento amar-te até mesmo no improvável
E transcender o impossível em tua presença deveras ausente.

sábado, 26 de abril de 2008

Poliana

Poliana era uma menina polida.
Todos gostavam de Poliana.
Ela tinha o perfume das flores
E o olhar doce como de um pássaro.
Poliana era um sonho.
Todos queriam uma filha como ela.
Poliana era flor, um passarinho
E uma liberdade que todos invejavam.
Uma dia Poliana alçoou vôo.
Bateu asas, só a alma vôou.
Uma rosa no asfalto.
E todos acordaram do sonho.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Carta à um amor bandido.

E pensar que tinha tanta coisa para te dizer e não falei quase nada. Espero que meus olhos tenham suprido este papel repentino e quase obrigatório de lábios. Sabe quando tudo é tão intenso que acaba suprimindo as palavras? Então, é por isso. Pela rapidez, pela intensidade, pelo susto, pela reciprocidade, pelo seu olhar.
Me peguei pensando várias vezes nas palavras que poderia pronunciar, mas o êxtase e o medo que ele proporciona sempre acabam por calar-me. Te quis em tantos momentos e queria que ficasse tantas vezes. Contudo, nunca o pedi explicitamente. A magia sempre me impedia de raciocinar direito. Não que seja menos encantador agora, mas o relógio desta metrópole nos apressa, lembrando que mundo existe e nos cobra tanta coisa. Somos cobrados por coisas que até mesmo estão fora de nossos reais interesses; o que dizer então dessa vontade de ficarmos juntos?
Parece que nem eu, nem terceiros respeitamos isso. Fico dividida entre aquilo que quero e aquilo que devo. Te quero, mas não devo. Ou será que nos queremos, mas os senhores do universo parecem não nos escolherem? Enfim, só sei que te quero. Te quero pela minha ansiedade, pela magia, pelo tempo ingrato, pelos silêncios, pelos olhares e abraços, pelos cafés, pelos beijos que não foram permitidos beijar, pelas palavras, pelas entrelinhas. Queria muito que você ouvisse tudo isso de mim, mas, seja por problemas de fala, liberdade ou horário, seus olhos não me vêem neste momento. Entretanto eu precisava, de alguma forma, te "dizer" que eu te amo.
Eu te amo e tantas vezes flagrei seu olhar e segurei o meu com medo que eles nos delatassem. Não tivemos um momento nosso como queria, desejava e esperava. Mas agora não há mais espaços e nem convêm fazer análises de porquês... O tempo não pára. E é por isso que decidi não adiar estas palavras para um amanhã que não me pertence. Só tenho o agora e sua não-presença. Não digo ausência, visto que ela é oca, vazia, e eu te tenho aqui dentro... Então não pode ser ausência.
Isso tudo me faz sentir com quinze anos novamente. Sim, quinze anos. Época de sentimentos coloridos das mais variadas matizes e quer saber? Não vai desbotar nunca. Não faço a mínima ideia do que vai acontecer conosco, mas tenho certeza que está valendo a pena e muito. Escutar tudo que você me disse, ver seu sorriso, sentir teu cheiro... É, valeu totalmente a pena! E as cores que isso tem, meu amor, são eternas. O momento é passageiro, mas as lembranças não. Elas são traiçoeiras, sempre voltam.
Tomara que o amanhã te traga para mim. Contudo, isso já é uma outra situação. A única coisa que sei é que hoje, até o momento em que eu deixar esta carta em um lugar onde você possa encontrar e ficar com uma raiva danada de não ter te dito isso pessoalmente, eu estarei te amando.

"Come away with me in the night.
Come away with me and I'll write you a song.
Come away with me on the bus.
Come away where they can't tempt us with their lies.
And I wanna walk with you on a cloudy day in fields where the yellow grass grows knee-high.
So won't you try to come?"

quinta-feira, 24 de abril de 2008

First Session.

Após tantas lutas de esgrima comigo mesma. Após tantos sentimentos dúbios sobre um eminente começo... Aqui estou eu rendida aos encantos e exposta à todos vocês. Não sabia o que fazer. Não queria, mas queria. Dúvida. Vontade ou não-preparação? A quais tentações devo ceder? Se o faço, não sei. Se não o faço também não sei. O que fazer então? Ceder às tentações, à todas elas, foi a melhor alternativa. E aqui estou eu.
Obrigada àqueles que me incentivaram e acreditam em mim. Isso é por vocês e para vocês.